Imagem capa - Como é a vida de um fotógrafo de navio de cruzeiro por Arisa Doy Baldin Rouanet

Como é a vida de um fotógrafo de navio de cruzeiro


Tem muita gente que pergunta isso para a gente. Como é trabalhar a bordo de um navio: é legal, vale a pena, é muito puxado?

Bom…Vamos lá. Primeiro vou explicar como fui parar lá.

Depois de me formar em Artes Visuais pela PUC Campinas, tinha me sobrado uma bagagem riquíssima de conhecimentos e nenhum dinheiro no bolso. Passei por vários trabalhos que me ensinaram muito. Até que no meio de 2012 me apareceu a oportunidade de trabalhar a bordo de navio.

Pagamento em dólar e oportunidade de viajar o mundo “why not?”.


Aqui vale explicar uma coisa para quem quer embarcar nesse vida: o processo seletivo funciona através de agências brasileiras e elas vão te encaminhar para a Companhia de Cruzeiro. Hoje em dia existem diversas como, por exemplo, a Portside, a Infinity Brazil e por aí vai. Salvo algumas funções a bordo a maioria é via agência.

Depois de passar pelo processo seletivo deles, teste em inglês, começa a parte da burocracia. É necessário fazer um curso de sobrevivência no mar entre outras coisas de documentação. Vai demandar tempo e um pouco de dinheiro sim.


Sobre trabalhar no mar:

Ou você adora ou odeia, difícil achar um meio termo. Em média são 12 horas de trabalho por dia. No caso de nós, fotógrafos, vai depender muito de itinerário, passageiros e chefes. Sim, os chefes podem fazer sua vida tranquila ou um inferno. A boa notícia é que depois de um mês o corpo acostuma e a mente também. Chefes vêm e vão, uma vez que trabalhamos por contratos de 6 a 8 meses, pessoas vem e vão. E antes de tudo: trabalhe bem e tudo ficará bem. O navio é um espaço muito bacana para quem quer fazer carreira. Eles possuem ótimos planos para quem quer ser promovido para diversos tipos de cargo.




Sobre o trabalho de fotógrafo:

Se você não tem muita experiência não é problema. A bordo são tantas fotos que temos que tirar todo dia que não aprende só que não quer. Muitas fotos de restaurante, sociais, muitas fotos de retrato (fotos em de estúdio fotográfico) e isso é bem legal. Hoje o domínio de iluminação de estúdio que possuímos,  é graças essa experiência incrível a bordo. Tiramos também muitas fotos externas, nas excursões em outros países, na piscina., no embarque. Seu dedo vai calejar de tanta foto, prepare-se.




Sobre o equipamento

Vai variar de companhia para companhia. Tem companhias de cruzeiro que fornecem o equipamento ao longo do contrato sem custo adicional. E outras em que é necessário possuir o próprio equipamento ou comprar a bordo. Vale pesquisar aquela que paga mais em função do desgaste do seu próprio equipamento, ou ir para uma companhia que paga menos e fornece os equipamentos.



Benefícios

Meu primeiro dia a bordo eu mal sabia mexer no flash externo. Ao final de 5 contratos a bordo, consegui uma posição que muito me orgulhava: fazer álbuns,  fotografar ensaios de casamento, lua-de-mel. Tinha passe livre para testar as luzes da maneira que eu queria. Amei esse tempo, aprendi a falar 4 línguas e conheci minha melhor amiga e parceira para vida: Arisa. Acho que juntos já conhecemos mais de 20 países. E ganhávamos em dólar, o que pode ser muito dinheiro aqui no Brasil. 


Me perguntam de vale a pena: para mim sim. De um cara que se formou com mérito, se achando cheio de conhecimentos, descobri que não sabia de nada. Tem dias a bordo que não são fáceis, aliás a maioria deles, mas esquecemos deles rápido. Já os dias bons são inesquecíveis.

Depois de um tempo a bordo fotografando, o desejo de criar livremente era cada vez mas latente. Em 2017 eu e Arisa resolvemos tentar outros mares (trocadilho infeliz), foi assim que nasceu nosso próprio estúdio fotográfico: Arêh Fotografia.

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